Pela primeira vez, levei o meu filho ao centro comercial para trocar cromos. Eu não fazia ideia da experiência que me aguardava.
Pela primeira vez, levei o meu filho ao centro comercial para trocar cromos. Eu não fazia ideia da experiência que me aguardava.
Há toda uma etiqueta na maneira como entram no circuito e se cumprimentam. Um dos meninos dizia sempre “bom negócio” e apertava a mão quando terminava uma troca.
Uma mãe aguardava, como eu, paciente e observadora.
Eu mantive-me à margem, só a observar e absorver.
Tantas skills envolvidas nisto! Da paciência à organização, negociação, memorização, estratégia. Conhecer e interagir com estranhos.
Fiquei curiosa em relação à natureza da transação: totalmente isenta de sentimentos. Nada de bla Bla Bla. Procuram, encontram, trocam, repetem.
Já estávamos a ir embora quando cruzamos com mais meninos com as suas cadernetas e cromos. Claro que voltamos para trás.
Chegou um pai com sotaque estrangeiro e o filho com óculos que o faziam parecer um pequeno génio. Extremamente organizados. Com um saco com outros sacos de cromos organizados por país e com a letra a indicar o grupos.
A primeira coisa que o pai fez ao inspeccionar o deck do meu filho foi exclamar com um tom de frustração “oh, não estão organizadas!” 😁 Estavam pois, mas doutra maneira 😂
Nessa situação, como el a tinham tantos, começaram por ver o que lhes interessava no deck do Gabi. O pai tinha uma planilha colorida no telemóvel, que ia consultando. Conseguiram fazer algumas trocas. O pai acabou a sessão sentado no chão, a dar instruções ao filho para manter tudo organizado. Só tive pena que o menino estivesse tão pouco envolvido na atividade, porque o pai tratava de tudo. Que oportunidade perdida…
Isto pode facilmente levar horas, mas se tivermos paciência, aproveitamos a oportunidade rara de os observar no seu elemento. Pequenas crias de humanos a praticarem trocas numa tradição que envolve alguns pais. É um momento de partilha entre eles.